domingo, 29 de novembro de 2009

Prioridades.

         Não consigo entender as prioridades desta administração que comanda a prefeitura dz nossa capital.
         Nossos corredores de ônibus estão totalmente abandonados, cheios de buracos e crostas que podem cortar um pneu, as estações sujas e depredadas. Nada é feito, exceto por uma espécie de caliça nos buracos que não dura nem até a próxima chuva, muito freguente por estes dias.
          Por outro lado, na av. Loureiro da Silva num trecho que vai da câmara devereadores até a av. Sigueira Campos foi feito todo o recapeamento asfáltico deixando a via uma pluma, sendo que ela não estava numa situação tão deplorável quanto os corredores.
          Será por este trecho que nosso querido prefeito e os seus se deslocam de casa ao trabalho?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Residencial Princesa Isabel.

Manchete do Diário Gaúcho de quinta-feira passada, 19/11:
Polícia estoura laboratório do tráfico na Azenha.
 Pensei que, com preguiça, os mancheteiros do Diário tivessem repetido a capa de algum número antigo do jornal, mas não, novamente a polícia invadiu o residencial Princesa Isabel e descobriu num dos apartamentos o laboratório para a confecção de drogas, principalmente o crack.
Para quem não sabe o residencial Princesa Isabel consiste em vários blocos de apartamentos de quatro andares localizado no bairro azenha, área central de Porto Alegre. Foi construído pela prefeitura através do DEMHAB para abrigar famílias carentes oriundas da vila ZERO HORA e outras da região.
É um local privilegiado, próximo ao centro, com toda a infra-estrutura, dezenas de linhas de ônibus, escolas públicas conceituadas, Shoppings Centers, comércio e empregos abundantes nas proximidades.
Pois bem, neste lugar que até classe média abastada inveja a prefeitura se encarregou de trazer indiscriminadamente pessoas para ocupar os apartamentos sem fazer qualquer exigência, nem ao menos verificar sua ficha corrida na esfera judiciária.
Com isso gerou conflito numa área antes calma. São constantes os tiroteios no local, os assaltos aumentaram e o tráfico também.
Comentários corrente de passageiros de ônibus quando contemplam o prédio após estas manchetes da imprensa;
- Como eu gostaria de morar num lugar destes, mas se eu for lá na prefeitura não consigo, só se eu for marginal...
Nada contra o povo do Princesa Isabel, são dezenas de apartamentos e, com certeza, e neles a grande maioria dos moradores é do bem, mas, com por isso, não deve encobrir as várias atividades ilícitas que desenvolvem ali, inclusive a disputa pelo tráfico naquela zona nobre, muitas vezes de forma violenta. Ao se constatar o desvio de finalidade em qualquer um dos apartamentos o DEMHAB deveria reintegrar o imóvel o mais rapido possível e repassa-lo ao próximo da fila de espera.

Miseráveis?

Comentário irado de uma cobradora da Cia. Carris:
- EU ODEIO O PT! - o motivo ela explicou - imagine, fui sorteada num apartamento do DEMHAB e não levei. Me falaram que com o meu salário, estava fora da prioridade deles. UM ABSURDO! Sou mãe solteira de duas meninas, uma doente, e meu salário é de R$ 861,00 (valor corrigido para os dias atuais) e eles acham que eu ganho muito. Falei pro cara: - quer dizer então que para ganhar um apartamento vou ter sair do meu emprego, passar a pedir esmola, me encher de filhos e viver aqui, pedindo cestas basicas e outras esmolas para vocês?
O rapaz que estava atendendo ficou com um sorriso amarelo no rosto e nada respondeu.

Estacionamento público reservado para idosos.

Vem ai mais uma uma proposta eleitoreira pela câmara de vereadores de Porto Alegre.
Já acontece em Goiânia e Belo Horizonte e não tardará para aqui também termos áreas de estacionamento em vias públicas para idosos.
Parei tudo e fiquei grudado na TV para entender o motivo desta benese. Seria porque os idosos são os que mais freqüentam o comércio e a medida visava a facilitar o acesso destes as áreas comerciais para incrementar as vendas?
Não foi dado motivo algum. Na matéria do JN foi apenas dito que os idosos encontravam dificuldade de estacionamento e agora teriam um espaço reservado para si.
Bom, então proponho aos ilustres vereadores das cidades que adotaram este sistema que criem áreas exclusivas também para negros, índios, japoneses, advogados, secretários, bancários, contabilistas, faxineiras, e todas atividades que dependem do carro, para passeio ou trabalho, pois todos enfrentam dificuldades em estacionar em todas as capitais com seus trânsitos saturados de carros.

domingo, 22 de novembro de 2009

Um senhor suspeito.

Um senhor suspeito.




Desde cedo, num instinto de autodefesa, aprendi a identificar certos traços da personalidade humana bastando olhar o sujeito. Com o tempo, ao ser tardiamente alfabetizado, aprimorei este critério observando os atos desta pessoa, como ela se relaciona com o mundo – mais importante que isso, como ela se relaciona com aqueles que lhe são próximos – e também como ela se relaciona com os outros, qual sua contribuição que deixará para a humanidade. Me defino como curioso no meu perfil e esta auto avaliação não foi posta a toa.

Você pode viver harmoniosamente com seu semelhante para tornar o mundo melhor para todos e, para isso, é preciso, antes de tudo, respeito e compaixão. Uma coisa anda de mão dada com a outra.

O egoísmo, o ódio, a intolerância, o preconceito e a covardia são os piores defeitos que uma pessoa pode ter e tudo isto é alimentado pela pura e simples ignorância.

A ignorância cega, a ignorância mata.

Procuro andar a margem deste tipo de pessoa. Corro até, mas não adianta, eles estão ai cumprindo seu papel de desmontar para que outros construam, de difamar, para que outros façam a reparação, de machucar, para que outros dêem assistência.

E todo o covarde gosta de fazer seu nome nas costas dos mais fracos. São neles que os covardes descarregam suas frustrações, sua incompetência, sua arrogância e sua submissão resignada ante aqueles que o subjuga.

Mesmo em posição privilegiada aos demais, eles têm que se assegurar que mais ninguém cresça, nem socialmente nem financeiramente, a sua volta para que no futuro tenham a quem humilhar. Eles ficam cegos, e na cegueira, não percebem o quão mal fazem para si próprios e para todos que estão à volta. Afinal tudo o que se deseja ao seu semelhante pode voltar em dobro.

Muitos nasceram amargos, outros tornam-se amargos.

Uns só sabem apontar os erros nos outros, sem jamais fazer nada para ajudar. Apenas apontam o dedo e criticam.

E como é fácil criticar!.

Tenho pena destes. Jamais agradecerão a Deus, ao se espreguiçar, por mais um belo dia de sol, especialmente quando de folga; não escutarão a algazarra alegre dos pássaros, em seus ninhos no alto do arvoredo, em comemoração ao novo ciclo que se segue; nem saberão agradar uma criança; não verão graça na peraltice de um bichano; nem retribuirão a amizade sincera de um cachorro.

Não, nunca estarão contentes. Só reclamarão que, ora o dia está quente, ora está frio; que o serviço é um fardo, o chefe, um facínora, os colegas, um saco; Que o barulho dos pássaros os impede de dormir; que as arvores só servem para sujar as calçadas; que crianças servem apenas para chorar; que os gatos não servem para nada, exceto miar noite adentro e pular sobre o telhado das casas; e que a função dos cachorros é apenas aterrorizar.

É desta forma que começo a enxergar o eventual jornalista e ilustre desconhecido deputado Políbio Braga, Ah, ia esquecendo - de tão pouca significância que este senhor tem na vida da grande maioria da população - economista também.

Pois bem, se ele não tem nenhuma importância por que perder meu tempo com esta longa introdução?

Acontece que, como dito anteriormente, dentre as coisas que mais me irritam, a ignorância e também a arrogância, não merecem passar sem resposta, principalmente quando expõe toda uma categoria de trabalhadores ao preconceito,ao ridículo e ao escárnio.

Pois bem, foi isto que este senhor fez, ao se referir em seu blog (http://polibiobraga.blogspot.com/2009/01/bilhetagem-eletrnica-acabou-com-evaso.html) que, até a implantação do sistema de bilhetagem eletrônica, o TRI, na capital, e o TEU, na região metropolitana, havia uma roubalheira generalizada no interior dos coletivos e patrocinada pelos rodoviários, gerando um prejuízo para as empresas de ônibus em mais de 30 milhões de Reais anuais.

Pela preocupação do economista, percebe-se o alvo de suas atenções e considerações.

Como economista ele apenas enxerga números, nada mais que isto. Tudo é estatística, planilhas, zeros à esquerda, zeros à direita. Ele não tem a obrigação de saber que a categoria dos rodoviários é formada por gente, e das mais diferentes qualificações. Tem de tudo um pouco, inclusive ladrões.

Têm nome também: seu Zé, seu João, Francisco, Eduardo, Glauber, Macedo, Alberto, Carrion, etc, etc, etc, e tal.

Tirando os ladrões, que são poucos e não duram muito, pois as empresas de transporte de passageiros tem mecanismos nem sempre justos para evitar a proliferação deste tipo de funcionário, em alguns casos basta a desconfiança para a demissão sumária, sobram dedicados trabalhadores que escolheram esta profissão não apenas como ganha-pão, mas por que gostam daquilo que fazem. Não por outro motivo atualmente a qualificação profissional dos rodoviários é bem ampla, temos ex-bancários, ex-escriturários, ex-policiais, ex-vendedores, ex-radialistas, ex-professores. Não raro, alguns contam com diploma, mas não com oportunidade na área em que são formados, ou desistem de seguir a carreira devido ao pouco rendimento. A exigência escolar mínima para os cobradores é o segundo grau completo, para os motoristas, a prioridade até então era a sua experiência na direção e mesmo assim as empresas já estão exigindo igual escolaridade.

Não interessa ao ilustre economista saber que o patrimônio adquirido por cobradores e motoristas é conquistado todo o dia a custa de muito esforço, às vezes trabalhando em dois empregos ao mesmo tempo, para conseguir ter uma boa casa ou um bom carro. E muitos ainda custeiam o ensino superior de seus filhos para que estes não tenham uma vida tão sofrida e por vezes humilhante.

Jamais arriscariam perder seu emprego por tão pouco usurpado da roleta.

Tem mais:

Evidentemente o senhor Políbio Braga sabe o que é macroeconomia. Explico para os demais: muita gente depende da categoria para se sustentar, principalmente desempregados, formando um ciclo que movimenta a economia de forma local ou de uma micro-região. São as Rosas da vida, as “tias” que muito cedo tem que levantar e preparar vários lanches e café para por a venda nas garagens e terminais. Com este rendimento conseguem o suficiente para se manter quando estão desempregadas, muitas ainda tem outras pessoas dependem delas também. Existem bares, lancherias, comércios de inúmeros produtos que sobrevivem graças aos rodoviários e as tias.

Como economista, afeito à estatística, ele deve desconhece quem foi Nery Gonçalves ou um certo motorista Forte. Dois nomes que são apenas números nas estatística policiais.

Pois bem, o primeiro, natural de Rio Grande, veio trabalhar na capital como motorista na empresa VAP para ajudar a custear a educação da filha na faculdade de direito de uma universidade privada. Quando finalmente se aposentou, recebeu apenas o primeiro mês. Não pensava em parar ainda, havia a pouco contraído uma dívida junto a Caixa Federal para aquisição de um apartamento em Porto Alegre. Queria uma aposentadoria tranqüila, sem pagar aluguel. Pouco antes do natal de 2006 foi alvejado com um tiro no rosto num assalto no bairro Safira por dois jovens que queriam dinheiro para consumir drogas.

Quanto ao Forte, da Sudeste transporte coletivo, era uma pessoa tranqüila, sem boca para nada e ficha funcional limpa. Naquele ano tinha motivos para comemorar: Fora promovido da roleta para à direção e sua companheira estava no terceiro mês de gestação. Infelizmente não pode comemorar o quarto mês da promoção, nem ver o filho nascer: fora também abatido com um tiro enquanto manobrava o ônibus para recolher para a garagem em sua última viagem na linha Alameda, véspera de natal, por outros dois jovens que queriam a féria do dia para, igualmente, consumir drogas.

Um encerrando a carreira, outro iniciando, e ambos mortos de forma igual.

Pior, isto é rotina na profissão.

Mas, se como economista, o senhor Políbio Braga pode se eximir de qualquer responsabilidade sobre estes temas marginais, então vamos apelar para o seu lado parlamentar. Deste, ele não pode fugir. Ele tem responsabilidades com a sociedade que o elegeu e esperam dele mais do que palavras e estatísticas. A não ser que ele considere apenas uma parte da sociedade detentora de sua consideração, aquela que lhe afiançou a campanha.

Pois bem, esta “roubalheira” a qual se refere o deputado nada mais é que o fruto do descaso que sucessivos governos trataram e tratam da educação deste país, onde os valores morais e éticos foram pro espaço faz tempo e políticos - tão afáveis e cheios de projetos em épocas eleitorais - passada as eleições, fecham-se em seus gabinetes na calada da noite para tratar de temas estranhos a sociedade, mas de enorme importância para si.

Nem por isso posso chamar todos os políticos de ladrão – não, seria preconceito -, eles são apenas a representação da sociedade. Tem ladrão lá, como têm alguns que honram o voto recebido.

É estranho logo um político achar ter moral para criticar quem quer que seja. Não digo ser o caso deste senhor, mas o nobre deputado circula nos mesmos corredores onde vários de seus pares são acusados de desvio de dinheiro, inclusive de tirar a merenda escolar da boca de crianças, formação de quadrilha e evasão de divisas e, simplesmente, continuam impunes, certos da complacência de seus “colegas”, dando novo sentido a bela oração de São Francisco na parte em que diz “que é dando que se recebe”.

Porque para estes o deputado não volta sua ira e prefere grudar no pé de pessoas sofridas que, faça chuva ou faça sol, independente de horário, tem que estar nos seus postos de trabalho, pois correm o risco de retaliações por parte dos empregadores, mesmo sabendo que a sua ausência nas ruas pode parar toda uma cidade, ao contrário dos deputados, sempre envolvidos em escândalos e de pouca produtividade?

Porque para os cobradores, pessoas humildes, muitas sem qualificação profissional, o senhor deputado parece ficar exultante com a possibilidade de ficarem sem empregos com a implantação total da roleta eletrônica e não prega o mesmo para acabar com roubalheira generalizada que tomou conta de todas as esferas políticas brasileiras e propõe a extinção do senado, câmara dos deputados e câmaras de vereadores?

Lhe dá prazer chutar cachorro morto?

Desconhece o jornalista Políbio Braga as conseqüências imediatas que acarreta um enorme contingente de desempregados? Desconhece o importante papel social que as empresas de ônibus influenciam nas comunidades que atuam, muitas carentes, gerando empregos e aquecendo a economia local e, com isto tirando inúmeros jovens da marginalidade, dando-lhes um salário decente, aliviando o sucateado INSS, com direito a plano de saúde em grupo e outros direitos trabalhistas cada vês mais raros no emprego formal?

Para o jornalista Políbio Braga, problema social é resolvida com a construção de novos presídios e um numero cada vês maior de policiais nas ruas?

Se para todas estas questões a resposta foi sim, começo a questionar até a competência como jornalista do senhor Políbio Braga, uma visão rancorosa e distorcida dos fatos, pois como economista e parlamentar, sua atuação é nula e nem poderia ser diferente. Política se faz com coração, com humanidade e compaixão. Se o senhor teve oportunidades na vida, independente da sua origem, deveria trabalhar que outros tivessem o mesmo. Boa infância, boa educação, boa infra-estrutura nas comunidades em que vivam, e oportunidades de se profissionalizar e dar uma vida digna aos seus.

Políticos gostam de ser lembrados, especialmente de quatro em quatro anos, e isto eu posso garantir, o senhor não vai sair da minha memória.

Mais uma sobre marcas e slogans:

O que dizer de uma empresa de ônibus chamada SOUL (Sociedade de Ônibus União Ltda) que em inglês quer dizer ALMA?
Não seria melhor deixar simplesmente UNIÃO, seu nome de fato?

Slogam, a filosofia de qualquer empresa.

E na Protásio, próximo ao sesc campestre, inaugura uma revenda de carros usados chamada Santa Fé. Lá é possível encontrar fuscas, brasilias, chevettes e outros carros igualmente bem rodados.
É - pensei -, é preciso ter fé pra comprar algo aqui e não se incomodar mais tarde.
Como diria Silvio Santos: Bem bolado!

Ao mesmo tempo que o nome da revenda de carros usados tem um nome encorajador para seus clientes, o que dizer de um salão de beleza com nome de santa ou santo?
Pois bem, na rua 9 de junho, na capital, um pequeno salão que arruma os cabelos, faz unhas e etc, chamase Nossa Senhora Aparecida.
Faltou acrescentarem ao nome o slogam: Fazemos milagres.

Esta de história de slogan deveria ser criação exclusiva de publicitários, deixar para amadores pode fazer qualquer negócio pode desandar. O slogan é a filôsofia da empresa e qualquer um que pesquisar cases de sucesso, perceberá mensagens vitoriosas agregadas ao nome das grandes empresas.
Slogan não é palavra solta no ar.
É o caso de uma farmácia com pretensão de ser rede na Protásio chamada IDEAL FARMA. O dono deve ter encomendado os paíneis externos para por na fachada e na empresa que faz os tais painéis, o contato deve ter notado que faltava algo e percebeu a falta de um slogan. Alertou o dono da IDEAL e este com pressa de abrir a loja olhou, olhou e pensou: O que botar?
Continuou olhando e pensando: Ideal, Ideal, rima com...? e que tal que fosse...? não. O ideal seria...
Tai, serve.
- Põe ai: O ideal é viver mais e melhor.
Serviço feito e as placas acabaram na fachada assim mesmo. Durou pouco aquele nome. Puderá, com uma frase óbvia daquelas, demonstrando total falta de criatividade nenhum negócio puderia prosperar e foi o que aconteceu.
Lembrem-se: Slogam é a filosofia da empresa.

Na Bento Gonçalves, bairro INTERCAP, o proprietário de um inferninho quis botar um nome estrangeiro e descolado no seu estabelecimento. Pensou em algo moderno e sacou esta:
Lancheria e snooker (os demais serviços agregados ficaram subentendidos através de desenhos) MIX FOOD.
Uma pena, trocou tão rapidamente o nome que nem deu tempo de registrar fotograficamente.

Aventuras nos táxis na madrugada.

Usuário forçado dos táxis nas madrugadas dos fins de semana para me deslocar ao serviço, tenho presençiado cada coisa!
Teve uma época que toda vés que embarcava o motorista avisava:
- acabei de ser assaltado.
Ou
- meu colega acaba de ser assaltado.
Só ficavam tranquilos quando notavam meu uniforme e dizia que pretendia descer na av. Protásio Alves e não tinham que entrar em vila nenhuma.
Ultimamente preferem ficar calados. Acho que a história não convençe mais, então é fé em Deus e pé na tábua.
Domingo retrasado fui forçado a pegar um táxi às 5h da matina. Veículo parado no ponto na ipiranga, motorista dormindo na direção, baba escorrendo no canto da boca.
Assustou-se quando abri a porta. Disse-lhe meu destino e ele arrancou o carro aos solavancos, ainda dormindo, creio eu.
Não tardou e não pude deixar de notar: Que fedor de mijo!
Tive que pagar, não tanto pelo cheiro impregnante no interior do veículo, mas por sair vivo daquele carro após três investidas contra o meio-fio.
Hoje tive que me aventurar novamente num táxi, no mesmo ponto. Chovia torrencialmente e a pouco havia saído o último carro levando um casal. Avenida deserta e eu olhando o relógio, 5 horas. Escondido no fundo do ponto um carro liga o motor e os faróis logo me iuminam na escuridão. Encosta na minha frente.
Que sorte, era um táxi!
Entro e, como de praxe, cumprimento o motorista. Não pude deixar de notar o quanto estava quente no interior do carro. Puderá, o condicionador de ar estava no último do aquecimento. Não entendi.
Ele parece não me ver, olhava fixo para o parabrisa e arranca aos solavancos e responde monossilábicamente, sempre fungando.
Achei melhor continuar a viagem quieto.
Não sou trouxa e é claro que dava para desconfiar do motivo, hálias estava no ar, inconfundível, o cheiro de maconha tomava conta do ambiente.
Dei graças a Deus quando desci. Paguei não pelo entorpecente que inalei, mas por sair ileso, após reler mentalmente todos os livros de Sthefen King naquela curta viagem.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

e tudo continua igual...

E os assaltos continuam na Protásio Alves no ponto em que este blog apontou, mesmo com a paralização da empresa VAP semana passada.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A polêmica do Dia.

E a polêmica levantado pelo Diário Gaúcho e Zero Hora é sobre uma placa posta pela Infraero aconselhando os usuários do aeroporto Salgado Filho a utilizarem os táxis de cor branca, exclusivos daquele ponto, em detrimento aos de cor vermelha, característicos do panôrama urbano de Porto Alegre. Alegaram os administradores do terminal que tal aviso era apenas para diferenciar um serviço que dava garantias adicionais, como a devolução de documentos ou bagagens em caso de esquecimento, por exemplo. É claro que os demais motoristas dos táxis convencionais ficaram fulos da vida e com todo o direito. Disseram estes, e eu assino embaixo, que maú profissional existe em qualquer profissão e aquela placa estimulava o preconceito contra a categoria.
A repercussão foi tão negativa que já no próximo fim de semana o teor da polêmica placa será alterado.

O canto da sereia.

Era uma menina linda, de pele clara e aparentado ter uns 16 anos.
Suas pernas estavam à mostra e, no resto do corpo, parecia vestir apenas um longo casaco de mangas compridas. O rosto era belo e triste, os longos cabelos negros estavam em desalinho.
Estava parada num dos pontos do terminal Parobé no centro como quem espera um ônibus, junto um garoto, tão novo quanto ela que, quando se aproximava, era espantando.
Vieram vários coletivos, para vários rumos, ela permaneceu lá.
Chamava atenção de quem passava pelo contraste: o que fazia um ser tão belo e jovem, num ambiente tão feio e sujo como aquele numa bela manhã de domingo?
As horas se arrastavam, ela parecia não perceber de tão absorta em seus pensamentos. De vés em quando algum bom samaritano com boas intençãos, outros  nem tanto, se dirigiam a ela para oferecer ajuda. Foram tantos que ela já não respondia. Ficou naquele mudismo.
O garoto que a acompanhava ficou sentado no outro lado da rua, apenas olhando.
Eu fiquei curioso e perguntei a um dos verdureiros do hortomercado o que estava acontecendo. Um sabia e me confidenciou: Aquela menina tinha sido estuprada, não por um, mas por vários elementos que participam dos bondes que, infelizmente, estão infestando o centro da cidade.
Estava num dos vários inferninhos que permitem a presença de menores a noite toda e onde o estatuto do menor e adolescente não tem o mínimo efeito. Na saída, foi literalmente arrastada para trás das bancas do hortomercado, teve a roupa rasgada e seu corpo foi violado por mais de quinze jovens, alguns nem tanto. O rapaz era seu irmão e apanhou bastante.
Ao chegar, os verdureiros do hortomercado ficaram penalizados e um deles cedeu o casaco para ela se cobrir. Por baixo daquela peça de roupa não havia mais nada.
No final da manhã ela finalmente foi embora.
Meu espanto foi novamente vê-la num outro domingo, não parada, não tão triste, mas apenas de passagem pelo mesmo hortomercado. Junto dela, uma amiga tão jovem e bonita quanto. Morena apenas. Ambas estavam de pernas de fora, e digasse de passagem, que pernas! O viço da juventude retornara. Nenhuma usava casaco para esconder nada, ao contrário, usava uma mini blusa para mostrar mais ainda. No rosto a expressão típica de felicidade dos adolescentes. Não precisaram caminhar muito para encontrarem seus parceiros, dois robustos rapazes que não paravam de cochichar entre sí e coçar a genitália.
Ficaram um tempo alí, uns com a mão naquilo, outros com aquilo na mão. A cena beirava a pornografia.
Fiquei curioso e novamente perguntei ao verdureiro o que estava acontecendo afinal.
- Ela mentiu quando disse que foi estuprada? Tinha gostado e por isso voltara?
- não - ele me disse - foi estuprada sim, naquele ponto e por todos aqueles caras, mas ela não era tão vítima assim. Ou era, de acordo com o ponto de vista de cada um. Na realidade a moça era filha de uma família bem estruturada, de classe média. Muito cedo, por influência dos colegas de colégio, começou a frequentar os bares do centro. Muito cedo também, por influência dos mesmo colegas, virou usuária de drogas de todo tipo. Cocaína e crack faziam parte do seu, digamos, cardápio. O estupro propriamente dito ocorreu porque ela foi convidada para consumir mais drogas entre as bancas de frutas e lá foi surpreendida por vários elementos. Seu papel agora era servir de isca para atrair novos clientes. Cabia a ela convidar outras colegas de escola, de trabalho - se por acaso trabalhase - ou rapazes, para curtir a noite e apresentalos ao maravilhoso mundo das drogas, caso contráro teria seu fornecimento suspenso e seria de novo violada, ou algo pior.
Novamente olhei para ela e pensei: seria díficel resistir a aqueles encantos e infeliz daqueles coitados se tentase resistir ao canto da sereia.
Nisto ela some, junto com a outra moça, mais os rapazes.

Corredores de ônibus.

Alô, Alô, prefeito fogaça!
Pelo menos deixe o carro oficial da prefeitura uma vez por semana, ou o seu mesmo, na garagem e ande de ônibus.
Experimente não ficar enjoado com o sacolejar do corredor de ônibus da Av. Protásio Alves.
Vergonha!

Metrô.

Alguem acredita que teremos Metrô até 2014?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Terminal Parobé.


Mesmo com com toda a sujeira, mendigos e clima de insegurança é possível ver cenas como esta no hortomercado da praça Parobé!

Mirante de Santa Teresa.



Que saudades da aurora da minha vida onde, de tanto rodopiar, cai, e ao levantar descobri que uma parte de mim ficou no chão em forma de um dente de leite que sinalizava que um ciclo se encerrava e outro começava. Que saudades das tardes de domingos ensolarados, sentado no gramado, com o Guaíba aos meus pés, a cidade tão imensa(ou seria intensa?) ao mesmo tempo tão próxima que seria possível abraça-la, os turistas fazendo mil poses ao estalar das câmeras fotográficas com o azul do ceu ao infinito, eu vendo os jogos no Beira-rio sem pagar e num ponto priveligiado. Quantas determinações me passaram na cabeça e o tempo tratou de sepulta-las ao deslumbrar a imponência das antenas de emissoras como a TV Guaíba, TVE, TVS, TV Gaúcha, Rádio Capital FM, Rádio Cidade FM. O tempo voa.
É lamentável o que deixaram fazer com o mirante de Santa Teresa.
Um lugar belíssimo entregue a marginalidade.
O que era de todos, agora pertence a alguns.
Experimentem em qualquer horário desperdiçar alguns momentos da vida para deslumbrar o charme encantador de Porto Alegre do alto do Morro Santa Teresa para sairem de lá assustados.

Geografia do crime.

Quem conhece o mínimo sobre transporte coletivo sabe que quanto mais vilas uma linha atender, maior será a abordagem pelos assaltantes.
Ao atender uma linha específica, cria-se uma intimidade entre a tripulação e seus passageiros. Fica extremamente embaraçoso para o meliante assaltar a linha do qual ele depende e correr o risco de ser reconhecido por outros moradores ou, pior, por algum parente seu. Ao mesmo tempo, ao  assaltar, fica marcado pela tripulação, que seguramente lhe negará carona na próxima véz que embarcar, porque quem assalta ônibus é chinelo e estes estão sempre na m...O que roubam é apenas para fumar, cheirar, beber ou injetar.
Só.
São metidos a malandros, porém são os mesmos que limpam o chão do ônibus ao passar por baixo da catraca.
A coisa complica quando a linha atende diversas vilas no seu itinerário. Ocorre a migração dos marginais de um ponto a outro daquele microespaço geográfico para cometer crimes de toda a sorte.
No ponto mais crítico da av. Protásio Alves entre as ruas  Martin Felix Berta e Del. Ely Corrêa Prado, os autores dos delitos não são usuários daquelas linhas. Assaltam naquele ponto para depois sair em disparada entre as trilhas abertas no mato para desaparecer em sequida na imensidão de moradias irregulares a volta. Já os marginais que moram ali, assaltam as linhas do lado de lá.
Intercâmbio no mundo do crime.
Se há um mapeamento das linhas mais visadas pelos assaltantes, irá comprovar minha teoria. As linha Ts da Cia. Carris são as campeãs de ocorrência, também são as que mais abrangem toda a cidade.

Tem Mais.

E se pensam que a coisa acabou ai, enganam-se: a prefeitura está removendo famílias do vila Dique devido as obras de ampliação do aeroporto para a área do porto seco, próximo ao sambódromo.
A vila dique é outra constante nas páginas policias devido ao intenso tráfego de drogas e disputa pelas bocas de fumo. Atualmente estão de guerra com a vila nazareth, vizinha de rua.
Outra mudança esperada para breve é a chegada da vila chocolatão oriunda da I perimetral, ao lado do ministério da fazenda, que deverá ocupar os lotes atualmente em construção na av. Protásio Alves, 9099.
 Neste caso é cristalino que será uma tentativa inútil da prefeitura tentar retirar aquele povo daquela área privilegiada, bem no centro da capital. Se forem para o morro Santana será apenas para ocupar os imóveis recebidos de graça para, após, venderem e voltarem ao seu ponto de origem. É fácil explicar: a maioria dos seus moradores sobrevive da reciclagem do lixo e no centro têm matéria prima de sobra e é mais fácil de deslocar seus  carrinhos para a coleta, diferentemente da lonjura da Protásio. Claro, há ainda os traficantes infiltrados entre os moradores, que perderiam uma boca de fumo priveligiada que abrange toda a cidade.
Imagine o paiol que está se montando na zona leste?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O MAPA DO CRIME.

Só que o ponto dos assaltos em questão está se tornando numa situação insustentável. Inserindo esta vila formada na última invasão, mais sua vizinha do outro lado da rua, o Jardim Protásio Alves, oriunda de outra invasão, temos uma grande área criada na ilegalidade e sem participação do estado onde os marginais impoem sua lei.
Mas olhando de forma mais ampla a situação fica pior ainda: Esta parte mencionada é apenas a ponta de um iceberg. Olhando ao redor das duas vilas temos outras áreas igualmente problemáticas: do lado de Porto Alegre, temos o Morro Santana, Manoel Elias, Passo das Pedras, Vila Mario Quintana, Porto Seco, Leopoldina, Rubem Berta; do lado de lá, em Viamão, temos as áreas populosas do Jary, Augusta e Santa Isabel.
Todas estas áreas são menções diárias nas colunas policiais nos jornais, com altas taxas de homicídio, tráfico de Drogas, estupros, assaltos, arrombamentos de domícilios e roubos e desmanche de carros. Quem acompanha sabe.

Os miseráveis.

Não quero dizer que todos estão bem de vida, há os miseráveis que realmente não tem teto e moram em casebres, em situação insalubre.

O ponto dos assaltos.

O ponto preferido dos assaltos tanto do Jary quanto da Safira/Passo Dornelles é sempre o mesmo: Entre a Martin Felix Berta e a rua Del. Ely Corrêa Prado. Neste trecho existe vegetação abundante, porque de um lado existe uma área federal preservada, do outro, área verde que está sendo sistematicamente devastada por inúmeras invasões, tanto que a prefeitura praticamente desistiu de retirar o pessoal de lá.
Nestas ocasiões me lembra uma das diretrizes da política de tolerância zero implantada com sucesso em Nova York: É desistimulando os pequenos delitos que se evita os grandes crimes.
Alí houve estimulo de setores do PT, que perdendo a eleição para a prefeitura da capital, insulflou a ocupação escondidos atrás da bandeira do MST/Movimento dos Sem Teto.
Curiosamente conheço muitos dos invasores originais e estes tinham casa própria, principalmente em Viamão de onde a maioria é oriunda. Muitos ficaram só o tempo de se declarar posseiro e já venderam seus lotes. Muitos dos atuais moradores tem carro, outros ostentam a antena da SKY no alto de suas casas.

VAP cruza os braços.

Hoje os trabalhadores da Viação Alto Petrópolis Ltda., que serve a zona leste da capital, resolveram cruzar os braços na parte da tarde em protesto pela falta de segurança, em especial nas linhas 491-Safira/Passo Dornelles e Jary via Protásio, mas a gota d'água foi a violência que motorista e cobrador foram submetidos no final da  manhã de ontem no terminal da linha 490-Morro Santana.
Por uma discussão banal, um jovem desceu no seu ponto e foi buscar seu "bonde" e agrediram covardemente a dupla no terminal.
O cobrador é reconhecido por ser apaziguador, mesmo assim foi agredido.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O centro para por qualquer motivo.



É impressionante como um caminhão pifado na Av. Mauá consegue parar o centro da capital. Pois foi o que aconteceu esta manhã, por das 8h. Simplesmente as vias principais do centro ficaram tomadas de ônibus, caminhões e carros que não tinham uma rota alternativa a seguir e toda a rotina da cidade foi alterada.
No tempo que o PT estava na prefeitura mantinham um guincho da EPTC - um ônibus adaptado para esta função - que ficava no largo em frente a sede estadual da Universal, no início da Av. Mauá, para recolher qualquer veículo que por qualquer motivo viesse a atrapalhar o trânsito. O atual governo municipal se desfez do guincho.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Transporte clandestino de passageiros em Porto Alegre.

Certo dia, no ano de 2001 ou 2002, um ônibus da VAP, linha Jari-Protásio Alves, iniciou sua jornada normalmente às 5h. Recolheu todos os passageiros dentro dos limites de Viamão, e em frente a garagem da empresa e em mais uma parada adiante que atendia a comunidade do Jardim Protásio Alves, estas em Porto Alegre. Após seguiu até o centro apenas descarregando os passageiros, já que por ser linha interurbana, por isso administrada pela METROPLAN, não pode pegar passageiros na área urbana da capital controlada pela EPTC. Ao chegar no centro e abrir as portas tanto para embarque como para desembarque passageiros, ouviu-se uma ordem de um passageiro para fechar a porta trazeira.
Não era um assalto, o cidadão trajado de forma informal era na verdade um agente da EPTC disfarçado para dar o flagrante. Logo vieram outros agentes, todos fardados e recolheram os documentos do veículo. Tanto motorista quanto cobrador não entenderam o que estava acontecendo, não havia acontecido nada de anormal naquela viagem. Foi-lhes informado que aquele carro e o próximo seriam recolhidos por transporte clandestino de passageiros. Como?, quiseram saber, já que todos os funcionários do tráfego da VAP eram orientados a seguir aquela rota. A explicação foi esta: ao parar em frente a garagem e na parada seguinte estavam descomprindo regulamentação que proibe que ônibus administrados pela METROPLAN pegue passageiros na área de influência da adminstração municipal, representada pela EPTC.
Telefonaram para a garagem e em seguida apareceu um fiscal da empresa, de peito estufado e dedo em riste apontando para os agentes municipais, dizendo: - vocês não podem fazer isto, nós temos autorização.
- Então tá - falou o chefe deles -, trás esta autorização que eu te libero os carros agora.
- Portaria - chamou o fiscal pelo rádio-comunicador - envia a autorização pelo próximo carro para a gente liberar os ônibus.
- CALA A BOCA DISGRAÇADO, NÃO EXISTE AUTORIZAÇÃO NENHUMA - foi o que se ouvio pelo rádio.
O fiscal murchou e os dois coletivos da VAP foram atrelados ao guincho para serem recolhidos ao depósito da EPTC, gerando uma multa posterior de mais de R$ 5.000,00.
Dizem que ao comunicarem ao sr. Enio Roberto Dos Reis, um dos sócio-proprietários da empresa e presidente da ATP - Associação dos transportadores de passageiros de Porto Alegre -, entidade que reune os donos de empresas de ônibus da capital, este pôs as mãos na cabeça e desabafou:
- Pior que a culpa foi minha - admitiu. Ocorre que na semana anterior houve uma reunião na prefeitura, com representantes das empresas urbanas, interurbanas, agentes da EPTC e outras autoridades municipais, e a principal reclamação dos empresários era exatamente sobre o transporte clandestino e irregular de passageiros que estava tomando conta da região metropolitana de Porto Alegre - Muita gente comprava uma van, encostava na porta de uma empresa, cobrava pelo transporte do serviço até a porta de casa o equivalente a um pacote de vale-transporte, mais uma pequena soma em dinheiro.
Foi pedido providências e elas foram tomadas. Só que o sr. Ênio não percebeu que ele cometia o mesmo erro que apontava nos outros. Além dos carros da VAP, mais dois da empresa Itapuã, braço interurbano da Viação Belem Novo Ltda, tiveram carros recolhidos também pelo mesmo motivo.
Resultado isto tudo: A multa e os carros do Jari não puderam mais pegar passageiros dentro de Porto Alegre, nem os funcionários em frente da garagem. Mais tarde consequiram reverter isto e foi liberado o embarque de funcionários apenas naquela parada, fora os carros podem ser guinchados de novo. Já a Viação Belém Novo preferiu vender a Itapuã para o consórcio AV. do Trabalhador.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

onda emancipacionista.

Para se ter uma ideia sobre o impacto da tarifa cobrada no ônibus sobre a geografia de uma cidade é bom relembrar o onda emancipacionista que ocorreu nos anos 90, onde muitos distritos queriam se emancipar de seus municipios mães, tendo identidade própria, e outros queriam se anexar a cidades polos.
Caso mais notável foi as das vilas de Viamão com divisa com Porto Alegre.
Viamão é um municipios mais antigos do Rio Grande do Sul, tendo, inclusive, sido a a primeira capital dos gaúchos. Só que a longetividade não trouxe melhorias e avanços, ao contrário, por conta de um plano diretor que atravancava o desenvolvimento, o municipio não consequiu atrair investimentos e emprego para sua poplulação.
Resultado:Viamão virou uma tipíca cidade-dormitório, onde a maioria de sua população tem que vir todo dia a capital para trabalhar pagando uma tarifa mais cara, já que quem administra os preços é a METROPLAN, orgão público do governo do estado.
Além disso Viamão não teve um desenvolvimento linear, ou seja, do centro para os bairros. Dentro de seus limites foram criadas varias vilas e bairros sem conexão entre si, gerando um custo enorme em canalizações, postos de saúde, coleta de lixo, asfalto, melhorias urbanas em geral. Porque para cada aglomerado populacional criado tem-se que criar todo um sistema de serviços públicos novo. Em outros municipios basta ampliar o já existente.
Fora o fato que a maioria da população não paga IPTU, mas cobram responsabilidades do municipio.
Pois bem, são estas vilas desprovidas de aparelhos públicos, sem asfalto, nem escolas, e com abastecimento precário de água servida pela CORSAN, que queriam se anexar a capital, o que criou um enorme constrangimento para o Prefeito Tarso Genro que se viu obrigado a vetar o resultado de um plebiscito com esta intenção.
Antes Porto Alegre já tinha incorporado a antiga vila Santa Catarina, vizinha a lomba do pinheiro, e lá foi criada toda a infra estrutura que transformou o local, tanto que mudou a condição de vila para bairro Bonsucesso. Das sucatas caras e demoradas da empressa Viamão, eles tem agora uma frota nova e seguida de ônibus, pagando a tarifa da capital.
Foi por causa desta experiência que o prefeito Genro vetou a anexação do bairro Indio Jari, de Viamão, à Porto Alegre.
O problema consistia basicamente nisto: Ao se tornar bairro da capital, a cidade teria que ceder as vontades dos novos moradores e contruir toda uma infra estrutura do nada, só que em termos de arrecação isso nada acrescentaria aos cofres do municipio, já que praticamente todas as moradias são ocupadas por posseiros.
Em compensação outros bairros legalizados e onde a maioria da população cumpria com suas obrigações com o municipio, não eram contempladas em seus pleitos, com obras ou melhorias, pois a verbas ia toda para as novas vilas.
Tarso Genro vetou e o Governador do estado de então, Alceu De Deus Collares,  para atender o "clamor" da comunidade criou a linha Jari-Protásio Alves da VAP, controlada pela METROPLAN, mas com caracteristicas das empresas de ônibus da capital. Na realidade uma aberração jurídica, que acaba gerando confusões.
Muita gente do Jari, que participou daquele movimento, acredita que o local pertençe a Porto Alegre.

domingo, 11 de outubro de 2009

Tarifa única e a transformação de Porto Alegre.

Você acha justo que alquem que more próximo ao centro pague os mesmos R$ 2,30 de tarifa nos ônibus igual a quem more nos bairros mais distantes ou periféricos?
Alguns dirão que não, mas a grande maioria nunca parou para pensar como um ato tão corriqueiro mudou a geografia de Porto Alegre e isso por iniciativa política o que vem a provar que nem sempre nossos ilustres representantes são desnecesários. Muitas vezes eles acertam e merecem ser elogiados quando isso ocorre.
Bom, vamos aos fatos:
Porto Alegre sempre foi uma cidade centralizada, tudo acontecia no centro, os atos políticos, administrativos, informativos, educacionais, o comércio, a diversão, tudo.
Aos pobres e negros cabia os arredores e bairros como, Menino Deus, Santana, Azenha, Glória e partenon tem em sua origem as vilas que esta população morava. Eu sou negro e no histórico de minha família paterna consta que meu bisavô morava na rua Grão Pará, no menino Deus. Da mesma forma os colorados insistem em chamar o estádio olímpico de chiqueirão, numa referência a uma vila que existia ali. E não se espantem com a banda da Saldanha em pleno Menino Deus.
Bom, isto ocorria porque, conforme dito anteriormente, a vida acontecia no centro e estes bairros eram próximos de seus trabalhos e como o transporte público era precário, era mais fácil ir a pé. Ocorre que a partir dos anos 50 o centro começou a mudar seu perfil e a tomar uma feição mais comercial empurrando as moradias para os bairros próximos. Efeito ainda hoje evidente. Ocorre que os novos moradores das áreas antes ocupadas por favelas não queriam os antigos vizinhos e começou a pressão para a retirada daquele povo.
O que fazer? A ideia era empurra-los para a periferia da cidade - não no sentido arbitrário, mas sim de forma consentida com a oferta de moradias pela DMAB para quem quissese fazer a mudança- o problema era que bairros como a restinga, pinheiro, Belem novo, Passo Dornelles e outros não tinham a miníma estrutura, além do fato de a tarifa ser mais cara, mais a precariedade do transporte de então.
Pensou-se em inúmeras alternativas, mas o problema da tarifa era um empecilho. A solução na realidade foi um canetaço dado pelo prefeito Guilherme Socias Vilela, que ainda regulamentou os táxis-lotações e criou os corredores de ônibus: Já que vocês querem se ver livre deste pessoal é justo que paguem por isso. Dai a passagem única.
Na realidade a tarifa real não é estes R$ 2,30, cada linha tem um valor diferente. O que acontece é que a arrecação ocorre de forma conjunta entre todas as empresas privadas mais a Carris, depois é feito o rateio entre elas, cada qual pegando sua parte - o valor real da linha multiplicado pelo número de passageiros -Atualmente esta fórmula mudou.
Desta forma a periferia da cidade foi ocupada e surgiram bairros que mais parecem cidades como a Restinga e o bairro Leopoldina na zona norte.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O fim da província.

Houve uma época em que o tempo passado dentro do legislativo municipal era dedicado a assuntos de relevância para a cidade, e não faz tanto tempo assim.
Devo confessar que fui alfabetizado tarde, aos 9 anos, e talvez por isso, de tanta felicidade ao decifrar as primeiras letras, comecei a ler de tudo. De bulas de remédio a jornais - habito que ainda conservo -, por isso acompanhei as grandes transformações que Porto Alegre sofreu do final dos anos 70 pra cá. A inauguração do Parque Marinha do Brasil, a reativação da usina do Gasometro, o asfaltamento das ruas da periferia, o fechamento das ruas do centro para os carros, a feitura das perimetrais, etc...
O fim da província para virar a metrópole.
De prefeitos posso cita-los por ordem de sucessão sem consultar nenhum arquivo: Thompson Flores, Guilherme Socias Villela, João Antônio Dib, Alceu de Deus Collares, Olívio Dutra, Tarso Genro, Raul Pont, de novo Tarso Genro,  João Verle e, por fim, Fogaça, agora em seu segundo mandato.
Os três primeiros foram os grandes realizadores de obras viárias na capital que deram um ar de metrópole para Porto Alegre. Já os 16 anos de PT na prefeitura foram feitos grandes investimentos na área social e onde as vilas foram incorporadas a cidade de fato. E para tudo isso a câmara de vereadores teve um papel fundamental.

Normas de conduta na câmara de vereadores.

Indo na contramão do consenso popular sobre a real utilidade dos políticos em geral, onde meia dúzia de oportunistas compromete a atuação de todas as casas legislativas, devo dizer  que uma câmara de vereadores atuante faz toda a diferença na vida de uma comunidade. Em Porto Alegre tivemos grandes políticos que discutiram a cidade e tiveram grandes ideias que mudaram a vida dos portoalegrenses.
Ao contrário de hoje, onde muitos de nossos nobres edis mais parecem interessados com a situação de Cuba, Carácas, Floresta amazônica e não demonstram nenhum interesse nos problemas e soluções do cotidiano de seus munícipes.
Por incrível que pareça foi necessário de um de seus pares tomasse a iniciativa de propor normas básicas de como se portar no ambiente da câmara municipal, tais como a vestimenta.
Foi vaiado por isso, inclusive por boa parte de nossos formadores de opinião que labutam na imprensa escrita, falada e televisionada.
Confesso que de início entrei na onda, mas depois lembrei que sou um trabalhador assalariado e na minha empresa também se exige postura sob pena de, se não quiser me submeter, ser demitido. Nada mais justo que nossos representantes se comportem de igual forma. Até porque, analisando mais profundamente o caso,   a reprimenda do vereador que propôs as normas se dirigiam a um público restrito, mais especificamente a algumas jovens moças em seus primeiros mandatos que pensam puderem tudo por estar na casa do povo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Moradia de marginais.

Alguem deveria impor aos ganhadores de licitações para obras em Porto Alegre a leitura obrigatória de um manual escrito na época do prefeito Thompson Flores(1921-2008), um homem visionário e um dos melhores prefeitos que esta capital já teve(1969-1975), escrito durante seu mandato, sobre certos cuidados aos projetar  edificação em áreas urbanas.
Saberiam, por exemplo, que jamais deveriam deixar vãos cobertos sob estruturas de elevadas e pontes para evitar a moradia de mendigos e o agrupamento de outros grupos não bem vindos, como ladrões e usuários de drogas, isso já naquela época.

Questão de justiça.

Apesar de chover torrencialmente praticamente todos os dias deste mês de setembro não se verificou nenhum transtorno na capital por causa das enchentes e inundações.
Eu, que me criei na zona sul, presenciei inúmeras vezes durante minha infância a água da chuva chegar até o piso dos ônibus na Av. Padre Cacique, Cristal, diário de notícias, Coronel Marcos, entre outras vias. Na zona norte, principalmente no Humaitá, era comum saber de inundações. Hoje isto é coisa do passado.
Umas das boas coisas que o PT quando estava na prefeitura legou a cidade foi grandes investimentos no sistema  de esgotos e distribuição de água, atingindo, se não me engano, 95% de toda a rede de Porto alegre.
Houve transtorno - isto seria inevitável pelo porte das obras -, muitas falhas e reclamações, mas, passada esta fase, não houve mais alagamento.
O motivo desta lembrança é apenas para alertar aos nossos govenantes, principalmente aos prefeitos, que tem gente, sim, que repara nestes investimentos. Não é dinheiro enterrado que não rende votos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Nem tudo era ruim.

Nem tudo era ruim naquele sistema.
Deram destaque demais apenas para o lado negativo, mas tinha vantagens também. Eu, por exemplo, que morava na Glória e, volta e meia ia na casa da minha irmã no partenon, pegava a linha 349-São Caetano, descia no terminal ALAMEDA e ali embarcava na linha 344-Santa Maria, com apenas uma passagem. Percebi que muita gente fazia o mesmo.
Havia uma brecha a alí. Com algumas adaptações o sistema poderia ser melhorado e hoje fazer parte da rotina das pessoas, mas políticos demagogos visam apenas votos e não no bem da coletividade.
Tudo bem, os tempos eram outros.

O primeiro sistema de bilhetagem eletrônica e os corredores.


Na realidade a ideia dos transbordos não é nenhuma novidade na cidade de Porto Alegre. Em 1983 o corredor da Bento Gonçalves foi projetado para trabalhar desta forma. Foi construído o terminal ALAMEDA na rua Ten. Alpoin, Terminal Bento Gonçalves na confluência da Bento com Antônio de Carvalho e outro na cidade de Viamão na parada 32 – este último não chegou nem a funcionar. Aqui, na capital, havia diversas empresas de ônibus na zona leste, que são a Robilo, Auto Viação Murialdo, Auto Viação Pinheiro e Partenon, que se fundiram e formaram a Sudeste Transporte Coletivo Ltda para operar o corredor com veículos articulados. E também foi a primeira tentativa de implantar a roleta eletrônica.


Durou pouco, até 1986.

O motivo básico foi este:

Imagine que você está acostumado a pegar seu ônibus diariamente para trabalhar, estudar, consultar o médico, ou qualquer outro motivo e, quando ele chega, está lotado. A viagem é longa e um banco fica vago. Você o ocupa rapidamente. Só que no meio do caminho o veículo pára e você é obrigado a descer e pegar outro carro, mais lotado ainda já que pegou a baldeação de diversas outras linhas igualmente lotadas. Quem gostaria disso? Pois era o que acontecia.

Claro que também teve a participação de políticos demagogos que abortaram o projeto visando ganhar a simpatia da população, que desaprovava o novo sistema.

Mas, reza a lenda, o motivo real foi outro. Dizem que durante dois anos houve uma evasão acentuada de passageiros sem nenhum motivo e os empresários bateram a cabeça atrás de explicações. Vieram técnicos de São Paulo, fiscalização, tanto da empresa como da SMT, tentaram achar o motivo. Nada. Foi um funcionário da própria Sudeste que acabou entregando o jogo. Como o sistema de cobrança era feito por um pedacinho de papel com uma tarjeta magnética que era introduzida num orifício da catraca eletrônica, em dias de chuva a passagem ficava inutilizada. O motorista simplesmente destravava  manualmente a catraca ficando com o bilhete. Esperava secar e revendia a passagem. Dizem, inclusive, que para destravar a roleta, bastava encostar nos terminais e desligar a chave geral do carro.


Pelo sim, pelo não, muitos motoristas foram apontados por fazerem um belo patrimônio por este meio.

O sistema de bilhetagem eletrônica, que foi anunciado como um dos mais modernos em operação no Brasil, em pouco tempo estava enferrujando no pátio da Sudeste.

domingo, 20 de setembro de 2009

Medidas enérgicas.

Para quem torçe o nariz para os transbordos é bom lembrar que a cidade de Porto Alegre está com sua zona central saturada e já não comporta mais o número de carros e ônibus circulando em suas principais vias de acesso. Para quem não conheçe a cidade, o centro é um funil e muito pouco já para o centro.
É preciso tomar medidas energéticas para a cidade não parar, inclusive medidas impopulares como esta. Lembrando que em São Paulo foi adotado o sistema rotativo para a circulação de carros.
Quer algo mais impopular que isto?

Portais da cidade.

Domingo passado, 13 de setembro, iniciou o projeto Portais da Cidade no corredor leste de Porto Alegre.
O que vem a ser este projeto?
Simplificando, seria transformar boa partes de linhas troncais em alimentadoras, ou seja, em vez de você pegar um ônibus e ir diretamente ao centro, haverá transbordo no caminho. O projeto preve varias estações de transbordos em todas as zonas geográficas de Porto Alegre, dai o nome de portais.
Começou pela estação Bento Gonçalves e abrangeu inicialmente as linhas 360-IPÊ, 376-VILA DOS HERDEIROS e 346-Jd. Bento Gonçalves que fariam conexão com a uma nova linha criada, 340, que iria até o centro. Funcionaria inicialmente aos domingos e feriados, após, num prazo curto, aos sabados e posteriomente, sem prazo de implantação, em todos os dias da semana.
Para se ter uma ideia da importância deste projeto, toda a direção do consórcio UNIBUS, fiscais e uma penca de agentes da EPTC, esteve presente desde o primeiro carro posto na rua. E não é pra menos.
O sucesso desta primeira tentativa de implantar o projeto Portais da cidade significaria no futuro toda a reformulação do sistema de transporte público da capital e acabaria redesenhando o mapa da cidade.
Apesar da importância e do com todo aparato e do número de pessoas envolvidas o projeto já neste domingo não teve segmento. Faltou algo básico: comunicar as pessoas diretamente envolvidas, ou seja, os usuários sobre as alterações.

Porto Alegre é demais.

Este espaço quero dedicar a cidade em que nasci, me criei e pretendo nela morrer.
Porto Alegre é linda e desgraçadamente muito mal explorada em seu potencial turístico e minha intenção é contribuir para não apenas apontar seus problemas, mas as soluções.
Quem tiver interesse poderá também contribuir com textos e apontamentos que será prontamente transccrito aqui.