terça-feira, 29 de setembro de 2009

O fim da província.

Houve uma época em que o tempo passado dentro do legislativo municipal era dedicado a assuntos de relevância para a cidade, e não faz tanto tempo assim.
Devo confessar que fui alfabetizado tarde, aos 9 anos, e talvez por isso, de tanta felicidade ao decifrar as primeiras letras, comecei a ler de tudo. De bulas de remédio a jornais - habito que ainda conservo -, por isso acompanhei as grandes transformações que Porto Alegre sofreu do final dos anos 70 pra cá. A inauguração do Parque Marinha do Brasil, a reativação da usina do Gasometro, o asfaltamento das ruas da periferia, o fechamento das ruas do centro para os carros, a feitura das perimetrais, etc...
O fim da província para virar a metrópole.
De prefeitos posso cita-los por ordem de sucessão sem consultar nenhum arquivo: Thompson Flores, Guilherme Socias Villela, João Antônio Dib, Alceu de Deus Collares, Olívio Dutra, Tarso Genro, Raul Pont, de novo Tarso Genro,  João Verle e, por fim, Fogaça, agora em seu segundo mandato.
Os três primeiros foram os grandes realizadores de obras viárias na capital que deram um ar de metrópole para Porto Alegre. Já os 16 anos de PT na prefeitura foram feitos grandes investimentos na área social e onde as vilas foram incorporadas a cidade de fato. E para tudo isso a câmara de vereadores teve um papel fundamental.

Normas de conduta na câmara de vereadores.

Indo na contramão do consenso popular sobre a real utilidade dos políticos em geral, onde meia dúzia de oportunistas compromete a atuação de todas as casas legislativas, devo dizer  que uma câmara de vereadores atuante faz toda a diferença na vida de uma comunidade. Em Porto Alegre tivemos grandes políticos que discutiram a cidade e tiveram grandes ideias que mudaram a vida dos portoalegrenses.
Ao contrário de hoje, onde muitos de nossos nobres edis mais parecem interessados com a situação de Cuba, Carácas, Floresta amazônica e não demonstram nenhum interesse nos problemas e soluções do cotidiano de seus munícipes.
Por incrível que pareça foi necessário de um de seus pares tomasse a iniciativa de propor normas básicas de como se portar no ambiente da câmara municipal, tais como a vestimenta.
Foi vaiado por isso, inclusive por boa parte de nossos formadores de opinião que labutam na imprensa escrita, falada e televisionada.
Confesso que de início entrei na onda, mas depois lembrei que sou um trabalhador assalariado e na minha empresa também se exige postura sob pena de, se não quiser me submeter, ser demitido. Nada mais justo que nossos representantes se comportem de igual forma. Até porque, analisando mais profundamente o caso,   a reprimenda do vereador que propôs as normas se dirigiam a um público restrito, mais especificamente a algumas jovens moças em seus primeiros mandatos que pensam puderem tudo por estar na casa do povo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Moradia de marginais.

Alguem deveria impor aos ganhadores de licitações para obras em Porto Alegre a leitura obrigatória de um manual escrito na época do prefeito Thompson Flores(1921-2008), um homem visionário e um dos melhores prefeitos que esta capital já teve(1969-1975), escrito durante seu mandato, sobre certos cuidados aos projetar  edificação em áreas urbanas.
Saberiam, por exemplo, que jamais deveriam deixar vãos cobertos sob estruturas de elevadas e pontes para evitar a moradia de mendigos e o agrupamento de outros grupos não bem vindos, como ladrões e usuários de drogas, isso já naquela época.

Questão de justiça.

Apesar de chover torrencialmente praticamente todos os dias deste mês de setembro não se verificou nenhum transtorno na capital por causa das enchentes e inundações.
Eu, que me criei na zona sul, presenciei inúmeras vezes durante minha infância a água da chuva chegar até o piso dos ônibus na Av. Padre Cacique, Cristal, diário de notícias, Coronel Marcos, entre outras vias. Na zona norte, principalmente no Humaitá, era comum saber de inundações. Hoje isto é coisa do passado.
Umas das boas coisas que o PT quando estava na prefeitura legou a cidade foi grandes investimentos no sistema  de esgotos e distribuição de água, atingindo, se não me engano, 95% de toda a rede de Porto alegre.
Houve transtorno - isto seria inevitável pelo porte das obras -, muitas falhas e reclamações, mas, passada esta fase, não houve mais alagamento.
O motivo desta lembrança é apenas para alertar aos nossos govenantes, principalmente aos prefeitos, que tem gente, sim, que repara nestes investimentos. Não é dinheiro enterrado que não rende votos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Nem tudo era ruim.

Nem tudo era ruim naquele sistema.
Deram destaque demais apenas para o lado negativo, mas tinha vantagens também. Eu, por exemplo, que morava na Glória e, volta e meia ia na casa da minha irmã no partenon, pegava a linha 349-São Caetano, descia no terminal ALAMEDA e ali embarcava na linha 344-Santa Maria, com apenas uma passagem. Percebi que muita gente fazia o mesmo.
Havia uma brecha a alí. Com algumas adaptações o sistema poderia ser melhorado e hoje fazer parte da rotina das pessoas, mas políticos demagogos visam apenas votos e não no bem da coletividade.
Tudo bem, os tempos eram outros.

O primeiro sistema de bilhetagem eletrônica e os corredores.


Na realidade a ideia dos transbordos não é nenhuma novidade na cidade de Porto Alegre. Em 1983 o corredor da Bento Gonçalves foi projetado para trabalhar desta forma. Foi construído o terminal ALAMEDA na rua Ten. Alpoin, Terminal Bento Gonçalves na confluência da Bento com Antônio de Carvalho e outro na cidade de Viamão na parada 32 – este último não chegou nem a funcionar. Aqui, na capital, havia diversas empresas de ônibus na zona leste, que são a Robilo, Auto Viação Murialdo, Auto Viação Pinheiro e Partenon, que se fundiram e formaram a Sudeste Transporte Coletivo Ltda para operar o corredor com veículos articulados. E também foi a primeira tentativa de implantar a roleta eletrônica.


Durou pouco, até 1986.

O motivo básico foi este:

Imagine que você está acostumado a pegar seu ônibus diariamente para trabalhar, estudar, consultar o médico, ou qualquer outro motivo e, quando ele chega, está lotado. A viagem é longa e um banco fica vago. Você o ocupa rapidamente. Só que no meio do caminho o veículo pára e você é obrigado a descer e pegar outro carro, mais lotado ainda já que pegou a baldeação de diversas outras linhas igualmente lotadas. Quem gostaria disso? Pois era o que acontecia.

Claro que também teve a participação de políticos demagogos que abortaram o projeto visando ganhar a simpatia da população, que desaprovava o novo sistema.

Mas, reza a lenda, o motivo real foi outro. Dizem que durante dois anos houve uma evasão acentuada de passageiros sem nenhum motivo e os empresários bateram a cabeça atrás de explicações. Vieram técnicos de São Paulo, fiscalização, tanto da empresa como da SMT, tentaram achar o motivo. Nada. Foi um funcionário da própria Sudeste que acabou entregando o jogo. Como o sistema de cobrança era feito por um pedacinho de papel com uma tarjeta magnética que era introduzida num orifício da catraca eletrônica, em dias de chuva a passagem ficava inutilizada. O motorista simplesmente destravava  manualmente a catraca ficando com o bilhete. Esperava secar e revendia a passagem. Dizem, inclusive, que para destravar a roleta, bastava encostar nos terminais e desligar a chave geral do carro.


Pelo sim, pelo não, muitos motoristas foram apontados por fazerem um belo patrimônio por este meio.

O sistema de bilhetagem eletrônica, que foi anunciado como um dos mais modernos em operação no Brasil, em pouco tempo estava enferrujando no pátio da Sudeste.

domingo, 20 de setembro de 2009

Medidas enérgicas.

Para quem torçe o nariz para os transbordos é bom lembrar que a cidade de Porto Alegre está com sua zona central saturada e já não comporta mais o número de carros e ônibus circulando em suas principais vias de acesso. Para quem não conheçe a cidade, o centro é um funil e muito pouco já para o centro.
É preciso tomar medidas energéticas para a cidade não parar, inclusive medidas impopulares como esta. Lembrando que em São Paulo foi adotado o sistema rotativo para a circulação de carros.
Quer algo mais impopular que isto?

Portais da cidade.

Domingo passado, 13 de setembro, iniciou o projeto Portais da Cidade no corredor leste de Porto Alegre.
O que vem a ser este projeto?
Simplificando, seria transformar boa partes de linhas troncais em alimentadoras, ou seja, em vez de você pegar um ônibus e ir diretamente ao centro, haverá transbordo no caminho. O projeto preve varias estações de transbordos em todas as zonas geográficas de Porto Alegre, dai o nome de portais.
Começou pela estação Bento Gonçalves e abrangeu inicialmente as linhas 360-IPÊ, 376-VILA DOS HERDEIROS e 346-Jd. Bento Gonçalves que fariam conexão com a uma nova linha criada, 340, que iria até o centro. Funcionaria inicialmente aos domingos e feriados, após, num prazo curto, aos sabados e posteriomente, sem prazo de implantação, em todos os dias da semana.
Para se ter uma ideia da importância deste projeto, toda a direção do consórcio UNIBUS, fiscais e uma penca de agentes da EPTC, esteve presente desde o primeiro carro posto na rua. E não é pra menos.
O sucesso desta primeira tentativa de implantar o projeto Portais da cidade significaria no futuro toda a reformulação do sistema de transporte público da capital e acabaria redesenhando o mapa da cidade.
Apesar da importância e do com todo aparato e do número de pessoas envolvidas o projeto já neste domingo não teve segmento. Faltou algo básico: comunicar as pessoas diretamente envolvidas, ou seja, os usuários sobre as alterações.

Porto Alegre é demais.

Este espaço quero dedicar a cidade em que nasci, me criei e pretendo nela morrer.
Porto Alegre é linda e desgraçadamente muito mal explorada em seu potencial turístico e minha intenção é contribuir para não apenas apontar seus problemas, mas as soluções.
Quem tiver interesse poderá também contribuir com textos e apontamentos que será prontamente transccrito aqui.