segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O primeiro sistema de bilhetagem eletrônica e os corredores.


Na realidade a ideia dos transbordos não é nenhuma novidade na cidade de Porto Alegre. Em 1983 o corredor da Bento Gonçalves foi projetado para trabalhar desta forma. Foi construído o terminal ALAMEDA na rua Ten. Alpoin, Terminal Bento Gonçalves na confluência da Bento com Antônio de Carvalho e outro na cidade de Viamão na parada 32 – este último não chegou nem a funcionar. Aqui, na capital, havia diversas empresas de ônibus na zona leste, que são a Robilo, Auto Viação Murialdo, Auto Viação Pinheiro e Partenon, que se fundiram e formaram a Sudeste Transporte Coletivo Ltda para operar o corredor com veículos articulados. E também foi a primeira tentativa de implantar a roleta eletrônica.


Durou pouco, até 1986.

O motivo básico foi este:

Imagine que você está acostumado a pegar seu ônibus diariamente para trabalhar, estudar, consultar o médico, ou qualquer outro motivo e, quando ele chega, está lotado. A viagem é longa e um banco fica vago. Você o ocupa rapidamente. Só que no meio do caminho o veículo pára e você é obrigado a descer e pegar outro carro, mais lotado ainda já que pegou a baldeação de diversas outras linhas igualmente lotadas. Quem gostaria disso? Pois era o que acontecia.

Claro que também teve a participação de políticos demagogos que abortaram o projeto visando ganhar a simpatia da população, que desaprovava o novo sistema.

Mas, reza a lenda, o motivo real foi outro. Dizem que durante dois anos houve uma evasão acentuada de passageiros sem nenhum motivo e os empresários bateram a cabeça atrás de explicações. Vieram técnicos de São Paulo, fiscalização, tanto da empresa como da SMT, tentaram achar o motivo. Nada. Foi um funcionário da própria Sudeste que acabou entregando o jogo. Como o sistema de cobrança era feito por um pedacinho de papel com uma tarjeta magnética que era introduzida num orifício da catraca eletrônica, em dias de chuva a passagem ficava inutilizada. O motorista simplesmente destravava  manualmente a catraca ficando com o bilhete. Esperava secar e revendia a passagem. Dizem, inclusive, que para destravar a roleta, bastava encostar nos terminais e desligar a chave geral do carro.


Pelo sim, pelo não, muitos motoristas foram apontados por fazerem um belo patrimônio por este meio.

O sistema de bilhetagem eletrônica, que foi anunciado como um dos mais modernos em operação no Brasil, em pouco tempo estava enferrujando no pátio da Sudeste.

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