domingo, 11 de outubro de 2009

Tarifa única e a transformação de Porto Alegre.

Você acha justo que alquem que more próximo ao centro pague os mesmos R$ 2,30 de tarifa nos ônibus igual a quem more nos bairros mais distantes ou periféricos?
Alguns dirão que não, mas a grande maioria nunca parou para pensar como um ato tão corriqueiro mudou a geografia de Porto Alegre e isso por iniciativa política o que vem a provar que nem sempre nossos ilustres representantes são desnecesários. Muitas vezes eles acertam e merecem ser elogiados quando isso ocorre.
Bom, vamos aos fatos:
Porto Alegre sempre foi uma cidade centralizada, tudo acontecia no centro, os atos políticos, administrativos, informativos, educacionais, o comércio, a diversão, tudo.
Aos pobres e negros cabia os arredores e bairros como, Menino Deus, Santana, Azenha, Glória e partenon tem em sua origem as vilas que esta população morava. Eu sou negro e no histórico de minha família paterna consta que meu bisavô morava na rua Grão Pará, no menino Deus. Da mesma forma os colorados insistem em chamar o estádio olímpico de chiqueirão, numa referência a uma vila que existia ali. E não se espantem com a banda da Saldanha em pleno Menino Deus.
Bom, isto ocorria porque, conforme dito anteriormente, a vida acontecia no centro e estes bairros eram próximos de seus trabalhos e como o transporte público era precário, era mais fácil ir a pé. Ocorre que a partir dos anos 50 o centro começou a mudar seu perfil e a tomar uma feição mais comercial empurrando as moradias para os bairros próximos. Efeito ainda hoje evidente. Ocorre que os novos moradores das áreas antes ocupadas por favelas não queriam os antigos vizinhos e começou a pressão para a retirada daquele povo.
O que fazer? A ideia era empurra-los para a periferia da cidade - não no sentido arbitrário, mas sim de forma consentida com a oferta de moradias pela DMAB para quem quissese fazer a mudança- o problema era que bairros como a restinga, pinheiro, Belem novo, Passo Dornelles e outros não tinham a miníma estrutura, além do fato de a tarifa ser mais cara, mais a precariedade do transporte de então.
Pensou-se em inúmeras alternativas, mas o problema da tarifa era um empecilho. A solução na realidade foi um canetaço dado pelo prefeito Guilherme Socias Vilela, que ainda regulamentou os táxis-lotações e criou os corredores de ônibus: Já que vocês querem se ver livre deste pessoal é justo que paguem por isso. Dai a passagem única.
Na realidade a tarifa real não é estes R$ 2,30, cada linha tem um valor diferente. O que acontece é que a arrecação ocorre de forma conjunta entre todas as empresas privadas mais a Carris, depois é feito o rateio entre elas, cada qual pegando sua parte - o valor real da linha multiplicado pelo número de passageiros -Atualmente esta fórmula mudou.
Desta forma a periferia da cidade foi ocupada e surgiram bairros que mais parecem cidades como a Restinga e o bairro Leopoldina na zona norte.

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