terça-feira, 13 de outubro de 2009

Transporte clandestino de passageiros em Porto Alegre.

Certo dia, no ano de 2001 ou 2002, um ônibus da VAP, linha Jari-Protásio Alves, iniciou sua jornada normalmente às 5h. Recolheu todos os passageiros dentro dos limites de Viamão, e em frente a garagem da empresa e em mais uma parada adiante que atendia a comunidade do Jardim Protásio Alves, estas em Porto Alegre. Após seguiu até o centro apenas descarregando os passageiros, já que por ser linha interurbana, por isso administrada pela METROPLAN, não pode pegar passageiros na área urbana da capital controlada pela EPTC. Ao chegar no centro e abrir as portas tanto para embarque como para desembarque passageiros, ouviu-se uma ordem de um passageiro para fechar a porta trazeira.
Não era um assalto, o cidadão trajado de forma informal era na verdade um agente da EPTC disfarçado para dar o flagrante. Logo vieram outros agentes, todos fardados e recolheram os documentos do veículo. Tanto motorista quanto cobrador não entenderam o que estava acontecendo, não havia acontecido nada de anormal naquela viagem. Foi-lhes informado que aquele carro e o próximo seriam recolhidos por transporte clandestino de passageiros. Como?, quiseram saber, já que todos os funcionários do tráfego da VAP eram orientados a seguir aquela rota. A explicação foi esta: ao parar em frente a garagem e na parada seguinte estavam descomprindo regulamentação que proibe que ônibus administrados pela METROPLAN pegue passageiros na área de influência da adminstração municipal, representada pela EPTC.
Telefonaram para a garagem e em seguida apareceu um fiscal da empresa, de peito estufado e dedo em riste apontando para os agentes municipais, dizendo: - vocês não podem fazer isto, nós temos autorização.
- Então tá - falou o chefe deles -, trás esta autorização que eu te libero os carros agora.
- Portaria - chamou o fiscal pelo rádio-comunicador - envia a autorização pelo próximo carro para a gente liberar os ônibus.
- CALA A BOCA DISGRAÇADO, NÃO EXISTE AUTORIZAÇÃO NENHUMA - foi o que se ouvio pelo rádio.
O fiscal murchou e os dois coletivos da VAP foram atrelados ao guincho para serem recolhidos ao depósito da EPTC, gerando uma multa posterior de mais de R$ 5.000,00.
Dizem que ao comunicarem ao sr. Enio Roberto Dos Reis, um dos sócio-proprietários da empresa e presidente da ATP - Associação dos transportadores de passageiros de Porto Alegre -, entidade que reune os donos de empresas de ônibus da capital, este pôs as mãos na cabeça e desabafou:
- Pior que a culpa foi minha - admitiu. Ocorre que na semana anterior houve uma reunião na prefeitura, com representantes das empresas urbanas, interurbanas, agentes da EPTC e outras autoridades municipais, e a principal reclamação dos empresários era exatamente sobre o transporte clandestino e irregular de passageiros que estava tomando conta da região metropolitana de Porto Alegre - Muita gente comprava uma van, encostava na porta de uma empresa, cobrava pelo transporte do serviço até a porta de casa o equivalente a um pacote de vale-transporte, mais uma pequena soma em dinheiro.
Foi pedido providências e elas foram tomadas. Só que o sr. Ênio não percebeu que ele cometia o mesmo erro que apontava nos outros. Além dos carros da VAP, mais dois da empresa Itapuã, braço interurbano da Viação Belem Novo Ltda, tiveram carros recolhidos também pelo mesmo motivo.
Resultado isto tudo: A multa e os carros do Jari não puderam mais pegar passageiros dentro de Porto Alegre, nem os funcionários em frente da garagem. Mais tarde consequiram reverter isto e foi liberado o embarque de funcionários apenas naquela parada, fora os carros podem ser guinchados de novo. Já a Viação Belém Novo preferiu vender a Itapuã para o consórcio AV. do Trabalhador.

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